quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Que dera ir-me Contigo agora...

Ai essa saudade baita, arrepia,enoza o peito
Cabelos negros ao vento escutando o som da gaita
cantarolando a velha canção
Quem dera ir-me pra perto de ti agora
Largar a tristeza campo fora, correr pra o teu rincão
Na cidade a frieza impera, lembro como doce a vida era
nos meus tempos de guria,recordo o rancho tapera
As manhãs de calmaria e tardes ensolaradas...
Saudade de minha terra! Como feliz eu era no rancho de minha vó
O coração da um nó, e xucro aqui corcoveia,
o sangue corre na veia no pulsar da emoção.
Ante os espinhos dessa estrada, que a vida me põe a passar
Minha Porto Alegre que por hora tristonha
Cantando ei de alegrar...
E um dia quem sabe lá pra fora com fé, ei de voltar.
Plantar tempero,colher fruta no pé
Seja na Terra de Sepé ou no Berço de água pura
Minha doce Iraí que tanto amo... é Graça,Beleza e Ternura
Onde deixei amores dos quais uns não mais verei
Pero, um dia sei que volto, e de longe escutarei
da barranca do meu Rio Uruguai, barranqueando um sapucai,
o índio do berro grosso
Dançarei com aquele moço que escrevendo e cantando,tanto, tanto esperei.
Abre a gaita gaiteiro e chama no chamamé,
que a vida é um passo de dança E mesmo caindo se ajeita,
o sonho é ponte, esperança, de rever meu bem querer...
Ah quem me dera encontrar-te agora,nem sei o que faria primeiro
Se um abraço, sentir o cheiro, ou beijo e esqueço o mundo
Na alma meu cala fundo, me faz volver Guria.
Com o verde do campo nesses olhos,permeia os sonho meus
Tens a calmaria das madrugadas e o encanto do balançar de Rio
Por quem procura meu andejar aragano...
Que caliente há de quedar-se no moreno do corpo teu
Moreno dos olhos verdes...verdes campos nos meus olhos
Grandes jabuticabas, com ternura te miram, e se põe a abençoar...
Ai que saudade da minha terra! Que doce a vida me era, doce de novo será
Quando a estampa dessa Xirua, apontar no estradão, com a certeza na alma,
que dessa vez é pra ficar, no peito o coração vai bater forte,
feito coice, sabe que ali é o seu lugar...
Quem dera ir-me correndo agora... De sanga banho tomar,
esquecer as amarguras.
Reaprender a Amar.
Quem dera ir-me adormecer nos teus braços,contar estrelas à noite.
Ser só tua e tu só meu.

Um comentário:

Claudio Caldas Faria disse...

Um delicia ler e participar de casa frase poética e cheia de vida!!!!